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29/03/2010 (Parte Dois)

Posted by Thiago Santana on 20:25
Eu estava escrevendo um texto, indo para faculdade, quando sentou do meu lado uma mãe com seu bebê. Doente, suja, nojenta, era a mãe. O bebê era fraco, faminto e fúnebre. Meu estomago revirou. Era muita dor para os meus olhos. Sujas, sem vida. Senhor, do que reclamo? Ela cospe no chão do ônibus, sem cerimônia ou mesmo vergonha, sinto nojo, mas sinto pena, eu realmente não sei qual sentimento é pior. Qual me dói mais sentir.

Peço perdão Senhor, peço perdão também por saber que peço perdão apenas por medo do meu futuro. Mas peço senhor, de coração, que me ajude a ser alguém melhor. Quero ajudar senhor, quero ter pra dar.

Então ela começa a mexer em mim. Tenta puxar minha caneta e coloca a cabeça no meu braço, é reprimida pela mãe que me pede desculpas, eu digo: “Deixe ela, deixe ela” E vejo a lua, me pareceu o terceiro olho de Deus. Eu não entendo exatamente o que aconteceu. O preconceito (uso essa palavra por não saber o que usar no momento) desceu no ralo, sinto meus dedos tocando os dela, estou brincando com ela e ela brinca comigo, sorri! Sinto vontade de cuidar dela, de levá-la pra casa.
Surge um Thiago que me acalma.

Então percebo que a mulher tem mais um filho, o ônibus lotado não o faz não gritar, ele implora pela mãe, com uma voz tão doente quanto à dela, então a mulher grita: “Fique quieto Luis Fernando, se não vou ai e largo o doce em você! Roqueline, Bernadete, minha mão ta coçando aqui!” Muitos no ônibus riram, eu também. Mas, confesso que me pergunto uma serie de coisas como questões educacionais, culturais, políticas e humanas que depois com o tempo posso comentar aqui.

Antes de sair do ônibus ouço ela dizer: “ Roquelina se eu levantar daqui vou te dar dois murros, vou deixar você banguela!”
Eu não sou tão sentimental assim, e estou longe de ser piegas, mas mexeu comigo de uma forma estranha.

“Oh Cristo, oportunidade, eu preciso ajudar!"
Era a única coisa que conseguia pensar.

2 Comments


Acaba de ganhar um fã!


Que linda a construção do seu texto, tão descritiva e tão sentimental, verdadeira e intensa. Consigo imaginar tudo, e até, sentir os seus sentimentos (sem exageros)! Seria maravilhoso se no mundo existissem mais pessoas assim, que conseguissem transmitir belas mensagens através de seus textos e, acima de tudo olhassem o mundo assim, e se eximissem de seus pré-conceitos tão rapidamente como vc mesmo nos disse aí!
Um beijo, amei!

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